Programa de Conservação da Arara-azul-de-lear


A Arara-Azul-de-Lear, Anodorhynchus leari, é uma espécie é endêmica da caatinga do nordeste do Estado da Bahia, e sua área de distribuição histórica conhecida inclui os Municípios de Campo Formoso, Euclides da Cunha, Uauá, Jeremoabo, Canudos, Sento Sé e Paulo Afonso. A população possui dois sítios que utilizam como dormitório e reprodução: os paredões da Estação Ecológica de Canudos (EBC), atualmente com 1500 hectares e na Fazendo Serra Branca em Jeremoabo, ambas reservas particulares.

As principais ameaças para população da arara-azul-de-Lear são a captura de indivíduos para abastecer o comércio ilegal de animais silvestres, devido ao seu valor por ser rara e a redução de seu principal item alimentar, o licuri, Syagrus coronata, além da redução de seus alimentos alternativos. Como fontes alternativas de alimentos utilizam o pinhão (Jatropha pohliana, Müll. Arg. 1864) a flor do sisal (Agave sp.) o milho (Zea mays L.,1973), a baraúna (Schinopsis brasiliensis Engl), umbu (Spondias tuberosa, Arruda, 1816) e mucunã (Dioclea sp.).

Até o ano de 2008 encontrava-se na categoria criticamente ameaçada, sendo incluída no Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES) e na Lista Oficial de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (MMA 2003). Após a verificação de que sua população havia alcançado o número de 960 indivíduos, foi considerada com espécie “Em Perigo” de acordo com os critérios da CITES.

   
   


Devido ao alto grau de ameaça da arara-azul-de-Lear, a Fundação Biodiversitas deu início a um projeto para conservação da espécie em 1989, contemplando uma série de ações envolvendo censos, trabalhos de envolvimento e conscientização da comunidade, aquisição de um dos sítios de reprodução da arara situado na Fazenda Toca Velha em Canudos (e hoje denominada Estação Ecológica de Canudos) e um projeto-piloto de manejo de licuri, com apoio do Fundo Nacional do Meio Ambiente/ Ministério do Meio Ambiente.

Em 1992, foi criado pelo IBAMA o Grupo de Trabalho Especial para Anodorhynchus leari e em 1997, o Comitê Permanente para Recuperação e Manejo da Arara-azul-de-Lear – CPRAAL, e elaborado um Plano de Ação contemplando as principais ações emergenciais para conservação da espécie, sendo estas: monitoramento das populações em campo e o estudo do comportamento reprodutivo, recuperação e manejo do licuri e suplementação alimentar para as araras, intensificação da fiscalização e continuidade das atividades de conscientização e envolvimento das comunidades locais no processo de conservação da arara-azul-de-Lear.


Desde o ano de 2000, vem sendo desenvolvido na região, o Programa de Conservação e Manejo da Arara-Azul-de-Lear, coordenado pelo IBAMA, o qual envolve atividades de cativeiro e campo, visando à manutenção de uma população genética e demograficamente viável em sua área de ocorrência.

O CEMAVE – Centro Nacional de Pesquisas para Conservação das Aves Silvestres, em parceria com a PROAVES – Associação Brasileira para Conservação das Aves, com apoio do Fundo Nacional do Meio Ambiente – FNMA do Ministério do Meio Ambiente – MMA vem desenvolvendo as ações de pesquisa in situ do Programa de Conservação e Manejo da Arara-azul-de-Lear.

   
   

A partir de 2001 o CEMAVE iniciou a coordenação das atividades de campo do Programa de Conservação e Manejo da Arara-azul-de-Lear e implementou a Base de Campo em Jeremoabo, oficializada pela Presidência do IBAMA em janeiro de 2002, fornecendo infra-estrutura necessária para a realização das atividades na região. A Base de Pesquisas conta com uma equipe de campo em tempo integral, cujos objetivos são pesquisa, manejo, proteção e envolvimento da comunidade local com a questão da conservação da arara-azul-de-lear e seu ambiente.

Nos períodos de baixa produtividade de licuris, as araras atacam as roças de milho causando prejuízos aos pequenos agricultores que o utilizam o para subsistência e para alimentar seus animais. Como conseqüência dos ataques aos milharais, os agricultores chegavam a atirar nas araras, por vezes ocasionado a morte da ave ou, em alguns casos a amputação de partes do corpo, impossibilitando sua sobrevivência em vida livre.

 


Com o evidente crescimento da população de araras e a oferta de licuris em baixa, gerando o aumento dos ataques às roças de milho, foi necessário o desenvolvimento de uma alternativa para evitar a mortalidade dos indivíduos ou a sua captura para a venda ao comércio ilegal.

Dentro do histórico do desenvolvimento do projeto foram realizadas diversas atividades voltadas ao envolvimento da comunidade e à educação ambiental. Palestras em escolas, associações e participação em eventos na região, programas de rádio, distribuição de cartazes, camisetas e bonés, sessões de cinema tanto nas cidades como na zona rural e a capacitação de professores em temas ambientais, oficinas de educação ambiental e oficinas de artesanato.

A Fundação Loro Parque, desde o ano de 2006, vem financiando as ações de educação ambiental e envolvimento da comunidade do Programa de Conservação e Manejo da Arara-Azul-de-Lear, Anodorynchus leari, incialmente através da PROAVES (Associação Brasileira para Conservação das Aves), depois com a SAVE Brasil.

Atualmente, através da parceria com o Instituto Arara Azul, desenvolve ações voltadas ao envolvimento das comunidades, educação ambiental e projeto de geração de renda. A região de Euclides da Cunha, área escolhida para o desenvolvimento desse projeto representa 51% da área de alimentação da espécie, sendo de primordial importância a implementação de alternativas que promovam a geração de renda para as comunidades locais, melhorando assim a sua qualidade de vida e consequentemente a conservação do ambiente necessário para a manutenção das populações de A. leari.

A principal ameaça para a espécie é a redução de sua área de alimentação, pois estão inseridos em locais aonde verifica-se a presença humana em diversos povoados espalhados pela zona rural de cada município, portanto, faz necessária a proteção destas áreas, através da conscientização das pessoas sobre a importância do ambiente para esta e outras espécies e dos trabalhos de geração de renda para as comunidades.

Clique aqui para saber mais

http://www.loroparque-fundacion.org/

Para maiores informações entre em contato através do endereço eletrônico: gracemacaw@yahoo.com.br



Responsável técnica: Simone Tenório
Contacto: "Simone Tenório" simonetenorio@gmail.com

 

Parceiros:

Copyright © 2009 - Instituto Arara Azul. Todos os direitos reservados. All rights reserved. Créditos do Portal