Estudo sobre Chlamydia Psittaci


  PESQUISA DE Chlamydophila psittaci EM ARARAS-AZUIS (Anodorhynchus hyacinthinus) E PAPAGAIOS-VERDADEIRO (Amazona aestiva) EM VIDA LIVRE NO PANTANAL DO MATO GROSSO DO SUL

Coordenação: Tânia de Freitas Raso

As populações de aves nativas no Brasil têm sido ameaçadas pela ação antrópica, caracterizada pela destruição do habitat natural e pelo comércio ilegal de animais silvestres. Deste modo, os filhotes, capturados ainda no ninho, são submetidos a condições inadequadas de transporte, alimentação e higiene durante o processo de comercialização, ocorrendo quase sempre, uma elevada mortalidade.
Coleta de Material dos filhotes. 
Foto: Cézar Corrêa

Os animais capturados ilegalmente, ao serem apreendidos pelas autoridades competentes que agem no controle do tráfico são, na maioria das vezes, encaminhados aos centros de triagem, zoológicos ou criatórios legalizados.

Em decorrência, o manejo inadequado, principalmente relacionado ao transporte e superpopulação, favorece o aumento da susceptibilidade das aves às infecções ou mesmo a ativação de infecções latentes com conseqüente disseminação de patógenos, entre os quais a Chlamydophila psittaci (C. psittaci). Considerada o principal microrganismo com potencial zoonótico transmitido por Psittaciformes, a C. psittaci é o agente etiológico da clamidiose nas aves e psitacose no homem. Nas aves, afeta os sistemas respiratório e digestório, sendo sua principal característica a indução de um quadro de portador inaparente com eliminação intermitente do agente. Aves de vida livre têm sido reconhecidas como importantes reservatórios de C. psittaci na natureza e, em aves cativas, sua incidência é relativamente alta.

Uma vez que as informações sobre a clamidiose no Brasil ainda são incipientes, nesta pesquisa avaliou-se a presença de C. psittaci em papagaios-verdadeiro (Amazona aestiva) e araras-azuis (Anodorhynchus hyacinthinus) em vida livre no Pantanal do Mato Grosso do Sul. O trabalho foi desenvolvido em colaboração com o Projeto Arara Azul e com o Projeto Papagaio-verdadeiro nos anos de 2000 e 2001, sendo tema da tese de doutorado da médica veterinária Tânia de Freitas Raso, tese esta defendida e desenvolvida no Departamento de Patologia Veterinária da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (UNESP) em Jaboticabal/SP.

Os resultados desta pesquisa demonstram uma ampla disseminação da C. psittaci em psitacídeos de vida livre no Brasil, sendo caracterizada pela eliminação do agente pelas aves e a comprovação da resposta imune. Ninhegos de papagaios apresentaram 6,3% das amostras de swab cloacal positivas pela semi-nPCR. Ninhegos de araras apresentaram respectivamente, 8,9% e 26,7% das amostras de swabs traqueal e cloacal positivas na semi-nPCR e, 4,8% dos soros reagentes pela reação de fixação do complemento. Tal fato é de extrema relevância, pois indica que as aves podem ser portadoras inaparentes do microrganismo com potencial de manutenção do mesmo no ambiente natural, disseminação para outras aves e contaminação de humanos em contato próximo; particularmente nos casos de manejo incorreto ou estresse de transporte. A conservação de um habitat em equilíbrio é fundamental para a manutenção da enfermidade em níveis restritos evitando-se assim problemas futuros de surtos em populações naturais de vida livre e em grupos de aves recém-apreendidas e mantidas em condições insatisfatórias de cativeiro.
Coleta de material para estudo de Chlamydia psittaci.
Foto: Neiva Guedes

A execução deste projeto contou ainda com o apoio financeiro da FAPESP e dos “Projeto Arara Azul” e “Projeto Papagaio-verdadeiro”, contando com a participação da equipe de campo de ambos projetos, de estagiários de campo e de laboratório. Os resultados deste trabalho foram apresentados em Congressos da área científica tal como o Congresso da Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens - ABRAVAS (anexo 1) e publicado em período internacional (anexo 2).

Para maiores informações, entre em contato através do endereço eletrônico:
tfraso@usp.br

 

 

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