Instalação de ninhos artificiais

É baixa disponibilidade de cavidades naturais de tamanho suficiente para caber uma arara com filhote e, além disso, há disputa por ninhos com outras espécies (araras-vermelhas, gavião-relógio, tucano, urubu e pato-do-mato). Estes fatores, aliado a destruição de ninhos potenciais por desmatamentos, queimadas e a invasão de ninhos por abelhas, estão limitando a reprodução das araras-azuis no Pantanal. Por isso, são confeccionados e instalados ninhos artificiais, em áreas onde a escassez é maior ou então para suprir a perda de um ninho natural.

Desde 1997 instalamos cerca de 220 ninhos artificiais em algumas fazendas no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Os ninhos foram feitos em ximbúva Enterolobium contortisiliquum, medindo 60X50X40 cm e abertura de 15 cm de diâmetro. A escolha dos locais para instalação dos ninhos seguiu alguns critérios como: árvores altas, que se destacassem da vegetação, com boa visibilidade, estável e de fácil acesso para as araras. Esta atividade é realizada principalmente nos meses de abril, maio e junho. Como a equipe tem bastante prática, o tempo necessário para instalar o ninho pode variar de 30 minutos a no máximo uma hora. 

Instalação de ninho artificial em 1997
por Neiva e Márcio


Não obstante, há mais demora em encontrar uma árvore adequada para instalar o ninho do que propriamente instalando. Atualmente no Pantanal, os proprietários interessados conservar as araras azuis e outras espécies, têm confeccionado os ninhos artificiais, com as medidas que são repassadas e a equipe do Projeto apenas instala.


Para exemplificar o resultado da ocupação dos ninhos artificiais, relatamos o monitoramento de 1998. Dos 77 ninhos artificiais monitorados, 51% (N=39) foram explorados pelas araras-azuis e 10% (N=4) tiveram casais que botaram ovos. Destes, um casal teve os ovos predados e o ninho ocupado por tucano (Ramphastos toco). Um casal teve duas posturas com ovos inférteis e dois casais tiveram sucesso com filhotes. Além das araras-azuis, 32 ninhos foram ocupados por 9 espécies em 1997 e 42 ninhos por 12 espécies em 1998.

Embora o número de ninhos artificiais ocupados com sucesso pelas araras-azuis tenha sido pequeno, mas crescente a cada ano, acreditamos que a oferta de ninhos é uma forma de contribuir para a conservação da espécie num curto espaço de tempo, pois outras espécies de aves, (ex: Cairina moschata, Micrastur semitorquatus, Busarellus nigricollis, Falco sparverius, Brotogeris versicolurus, Amazona aestiva, Turdus rufiventris e Gnorimopsar chopi) que disputariam os ninhos naturais com as araras-azuis ocuparam os ninhos artificiais com sucesso. Em função dos ninhos artificiais, houve um aumento de 171% do número de filhotes que voaram em 1998 em relação ao ano anterior no Pantanal de Miranda. Mas sem dúvida, a longo prazo, incentivamos a plantação e conservação dos manduvi (Sterculia apétala) e outras espécies que possam ser utilizadas para ninhos pelas araras-azuis no Pantanal Sul.

 

Cézar montando ninho artificial modelo para arara vermelha.
Foto: Karlla Barbosa 

Ninho artificial 80x75x45x40cm 
Foto: Cézar Corrêa
Ninho artificial para arara vermelha. 
Foto: Cézar Corrêa
 
Ninhos artificiais confeccionados pela Faz S. Delfina.
Foto: Grace F. da Silva
Instalação do N2193 Faz. Santa Inês.
Foto: Grace F. da Silva

Instalação do ninho artificial N2186 Faz. Sta. Delfina.
Foto: Cézar Corrêa

 

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