O Pantanal

 bot-01.jpg O Pantanal é uma das maiores planícies inundáveis da Terra, considerado “Patrimônio Natural” pelo Artigo 225 da Constituição Brasileira (1988) e “Reserva da Biosfera” pela UNESCO (2000). O Pantanal, apesar do nome, não é um pântano, e sim uma imensa planície sedimentar que sofre inundações periódicas, ao contrário do pântano que é sempre alagado. O Pantanal fica localizada no centro da América do Sul tem cerca de 147 km2  (14-22º Sul e 53-66º oeste). Ele integra a Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai que ocupa aproximadamente 500 mil km2 e é compartilhado pelo Brasil, Bolívia e Paraguai.
 bot-02.jpg maior parte do Pantanal, que é a planície de inundação está no Brasil nos Estados de Mato Grosso do Sul (65%) e Mato Grosso (35%). Com altitudes que variam de 80 a 150 metros, sofre influência direta do planalto do entorno, que são as terras altas (montanhas, morros, chapadas e depressões), com altitudes que vão desde 200 até 1.000 metros. A pluviosidade anual média da região atinge 1100 mm, com período mais chuvoso de novembro a março e menos chuvoso de abril a setembro.
 bot-03.jpg O relevo pantaneiro possui uma característica muito particular: a baixa variação na declividade do terreno. Assim as cheias anuais ocorrem pelo extravasamento das margens dos leitos dos rios, que inundam os campos e secam quando estes voltam ao volume normal. Em média o tempo de trânsito das águas é de 5 a 6 meses, desde o Norte até o Sul. O clima do Pantanal classifica-se, segundo koeppen, como clima tropical úmido (AW), com verão chuvoso e inverno seco. A temperatura média anual é de 25°C e a umidade relativa 82%, mas podem ocorrer resfriamentos abaixo de 10ºC, de curta duração (2 a 3 dis), entre abril e setembro.
 bot-04.jpg No Pantanal Sul Matogrossense os solos são de origem sedimentar, ocorrendo áreas onde o solo é argiloso e em outro arenoso, de forma alternada e descontínua, mas em 92,5% são solos hidromórficos (solo de área úmida), segundo Amaral, 1986. Isso acarreta em limitações à lavoura, pois os solos são inférteis, como também periodicamente alagáveis.

Devido a sua localização, a vegetação pantaneira é um mosaico de diferentes ecossistemas. Ela é influenciada por elementos de quatro províncias fitogeográficas da América do Sul: Amazônica, Cerrado, Chaquenha e Atlântica. A paisagem no Pantanal é composta por campos, baías, salinas, cordilheiras, capões, corixos ou vazantes. O pantanal possui uma variação muito grande espécies vegetais e, por conseguinte animais, e tem como característica uma interdependência com o fluxo das águas, gerando uma grande biodiversidade. 

Baseado em aspectos florísticos, pedológicos e das inundações, o Pantanal pode ser dividido de oito a onze sub-regiões (Mapa).

Quanto à fauna, a planície não é geradora de nenhum endemismo, mas é um local onde se pode encontrar facilmente exemplares da fauna brasileira ameaçada de extinção como tamanduá-bandeira, cervo-do- pantanal, ariranha e a arara azul. O Pantanal é considerado uma das vias mais importante para aves migratórias dos hemisférios Norte e Sul. Segundo dados da WWF de 1999, o pantanal possui 650 espécies de aves, 80 de mamíferos, 260 de peixes e 50 de répteis. 

        
Cervo do Pantanal.
Foto: Neiva Guedes
Ema com filhotes.
Foto: Vanessa Bernardo
Ipê amarelo.
Foto: Neiva Guedes
Ipê-rosa.
Foto: Neiva Guedes

A pecuária bovina, a pesca e o turismo são as principais atividades econômicas do Pantanal. A criação de gado é extensiva. Em algumas áreas, o manejo é feito com a rotação de pastagem nativa, que anualmente é queimada. Em outras, o desmatamento vem crescendo exponencialmente, onde o cerradão e a mata estão dando lugar à pastagem cultivada.

A pesca varia de subsistência (artesanal e recreativa) a esportiva e profissional são atividades econômicas importantes no Pantanal.  Embora seja histórica e elemento fundamental para a economia da região, tem sido objeto de várias pesquisas e discussões ambientais, devido à pesca ilegal (fora de medida e época), sobrepesca de algumas espécies, falta de legislação integrada (Brasil, Bolívia e Paraguai). Segundo ALHO & GONÇALVES (2005) a pesca esportiva chegou a 59 mil pessoas em 1999 no Mato Grosso do Sul, decrescendo nos anos seguintes.

O turismo é uma atividade crescente no Pantanal, o qual bem estruturado e organizado é uma alternativa econômica que ajudará na conservação da flora e fauna pantaneira. Por apresentar uma belíssima paisagem aberta e de fácil visualização da fauna o Pantanal é um dos mais exuberantes atrativos de contemplação para o turismo de observação, rural e ecológico.

Embora seja um dos ecossistemas mais conservados do Brasil, segundo o último levantamento efetuado pelo do Ministério do Meio Ambiente, pois ainda contém 88% do habitat original, o Pantanal é afetado por problemas como o fogo e desmatamento que levam a descaracterização do habitat. 

           
Pantanal desmatamento
capão.
Foto: Neiva Guedes
Pantanal desmatamento
cordilheira.
Foto: Neiva Guedes
Pantanal desmatamento
beira de baía.
Foto: Neiva Guedes
Pantanal desmatamento
Caiman.
Foto: Neiva Guedes
 
 
Pantanal desmatamento
 F. Sta Maria.
Foto: Neiva Guedes

O fogo que não é um fator totalmente antrópico é historicamente utilizado no Pantanal como instrumento de manejo da pastagem nativa.  Segundo dados da Embrapa Pantanal todos os anos o fogo atinge o Pantanal modificando a paisagem local. O número de focos de calor varia de ano para ano, em função das chuvas e umidade relativa do ar. Atualmente a queima controlada e regulamentada pelo IBAMA, Lei Federal, Decreto nº 2261 de 08/07/1998 e no Mato Grosso do Sul pela Portaria nº 2, de 24/05/2002.

 Trabalhos realizados por ABDON et al (2006) e HARRIS et al (2006) demonstram que o desmatamento no Pantanal é crescente. A utilização de áreas para pastagem no domínio do Cerrado, com derrubadas de árvores é feita em áreas de cordilheiras ou capões, que fornecem abrigo, ninhos e alimentação para a fauna pantaneira. Em algumas fazendas a opção tem sido substituir a pastagem nativa por pastagem exótica, realizada nas áreas de cerrado aberto ou campo, que de qualquer forma também altera as condições naturais do ambiente.

Para ver mais em:

ALHO, Cleber J. R.; GONÇALVES, Humberto C. Biodiversidade do Pantanal: Ecologia &  Conservação. 1ª ed. Campo Grande: Editora UNIDERP, 2005. p. 145. ISBN 858739294-8

ABDON, M. M.; SILVA, J. S. V.; SOUZA, I. M.; ROMON, V. T.; RAMPAZZO, J.; FERRARI, D. L. Análise do desmatamento no bioma Pantanal até o ano 2002. In: SIMPÓSIO DE GEOTECNOLOGIAS NO PANTANAL, 1., 2006, Campo Grande, MS. Anais... Campo Grande: Embrapa Informática Agropecuária/INPE, 2006. p. 293-301.

HARRIS, M. B.; ARCÂNGELO, C.; PINTO, E. C. T.; CAMARGO, G.; NETO, M. B. R.; SILVA, S. M. Estimativa da perda de cobertura vegetal original na Bacia do Alto Paraguai e Pantanal brasileiro: ameaças e perspectivas. Natureza e Conservação. Fundação O Boticário de Proteção à Natureza: Revista Brasileira de Conservação da Natureza (The Brazilian Journal of Nature Conservation), Curitiba, vol. 4 (2), out. 2006, p.50-66 


Embrapa Pantanal 
www.cpap.embrapa.br


Ministério do Meio Ambiente 
http://www.mma.gov.br/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=72&idMenu=3645


Ministério das Relações Exteriores
http://www.mre.gov.br/cdbrasil/itamaraty/web/port/meioamb/ecossist/pantanal


WWF - Pantanal para Sempre
http://www.wwf.org.br/pantanal/

Conservação Internacional
http://www.conservation.org.br/onde/pantanal/

IBAMA
http://www.ibama.gov.br/
 


 

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